Parece mesmo que o universo dos métodos de café coado foi criado dentro dos laboratórios com uma pegada forte de design. Depois de mostrar pra vocês o Sifão – método pra lá de estiloso com toda cara de equipamento científico – hoje vou falar um pouco sobre a Chemex, método criado em 1941 por um químico alemão, Peter Schlumbohm. Mais um cientista na história do café.
É mais um método com um visual belíssimo. E não sou eu que digo isso. Um exemplar do método está exposto no “Museum of Modern Art” – o MoMA, em Nova York, nos EUA, indicado como um dos produtos com o melhor design do ano de 1943. O Instituto de Tecnologia de Illinois, também nos EUA, selecionou a Chemex como um dos 100 produtos de melhor design de todos os tempos.
Não é pouco, né?
A Chemex é uma peça única de vidro borossilicato, com um cone invertido na parte de cima e a jarra na parte inferior. Entre eles, um colar de madeira com um cordão de couro. São vários modelos e tamanhos diferentes. Lembra vagamente uma ampulheta bem estilizada.
A canaleta no cone superior serve para deixar subir (passando ao lado do filtro) o vapor – e eventual pressão - do café que vai caindo na jarra inferior. Eu também uso pra servir o café, apesar de que, na hora de servir, o correto é segurar pelo colar de madeira prendendo na mão a cinta de couro, para garantir que a bela peça de vidro, aquecida, não escorregue e caia.
O filtro de papel (foto) é uma obra de arte à parte. Para colocar o filtro na Chemex, é preciso fazer uma dobradura. Na forma final, um triângulo, o filtro dobrado fica com uma lateral tripla, que ajuda a filtrar bem a mistura de café e água, levando a uma bebida bastante limpa, sem muitos óleos ou partículas sólidas do café.
O modelo que mostro no vídeo é o tamanho menor de Chemex. O cone superior tem o menor ângulo de todos os métodos que conheço, no caso das extrações por despejo (chamado de pour-over). Não fiz uma medição precisa, mas o cone invertido deve ter um ângulo de menos de 30º, talvez até menos de 25º. Para comparar, outros métodos têm, em geral, 55º (Koar), 60º (Hario V60), ou um valor entre esses dois, como é o caso dos modelos maiores da Chemex ou a Clever.
Isso faz com que a água despejada passe pela cama de café mais rapidamente em direção à jarra. O resultado, além de um café muito limpo, é um café normalmente sem amargor, com as notas ácidas e doces muito marcantes. (Outra hora explica como funciona a extração, que num primeiro momento extrai a acidez, depois o doce e, por último, o amargor).
Enfim, saborear um bom café extraído na Chemex é uma experiência única. Para o meu paladar, quando você tem um grão (recém torrado e moído na hora) mais complexo, é um dos cafés mais saborosos que você pode beber.
E, fora a parte da dobradura, é um método de fácil preparo. No vídeo, que é rapidinho, mostro a preparação do café na Chemex. Vale conferir.
Então, é isso. Se quiser saber mais sobre esse método, detalhes mais técnicos sobre a peça ou sobre as formas de preparo, é só comentar.
Valeu pela companhia. Até a próxima.


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