Mesmo com muito esforço mental, não consigo lembrar em que ano foi. Mas sei que ainda era o tempo do jornal impresso, na era pré-celular. Outro mundo. Notícia só se conseguia lendo [e sujando as mãos com] a Folha de São Paulo, O Globo, o Jornal do Brasil, o Estadão e, por estas bandas, com o velho Correio Braziliense.
Já era jornalista. Mas também não lembro em que empresa trabalhava. Antes de criar o pouco juízo que tenho hoje, não conseguia me aquietar por mais de 1 ano e meio em lugar algum. Pulava de um emprego para o outro. Até concurso público (na verdade dois concursos) abandonei pra trás.
Mas lembro que certa feita, lendo um desses jornalões, vi uma notinha, bem pequena, numa página central de um caderno de Cidades. Acho que era a Folha ou o Estadão, e a cidade era São Paulo. Nota curta, seca, sem foto. Registro mesmo.
Dizia apenas que a polícia havia encontrado três pessoas mortas em uma casa. Dois idosos e um jovem. Sem pistas de nada, sem vestígios de nada. A nota apenas dizia que um deles, o mais jovem, aparentemente tinha algum tipo de deficiência mental.
Aquela notinha pequenininha no meio do jornal, lida numa manhã de um dia qualquer da semana (porque jornal se lia de manhã), num emprego qualquer que eu estava, mexeu comigo de um jeito sem explicação.
Foram dias sem tirar aquela informação da cuca. Pensando no que teria acontecido. Acho que ninguém no mundo leu aquela nota. Ninguém deu a menor bola. Só eu. Um cara jovem (já fui mesmo), que não tinha nada a ver com o caso, que morava longe de onde aconteceram os fatos.
Mas dei muita bola mesmo. Aquilo entrou em mim de um jeito tal, que só saiu quando eu decidi jogar no papel a minha versão sobre aquela notinha de poucas linhas publicada numa página central, sem destaque algum, de algum grande jornal.
E escrevi minha versão. Só assim consegui me desamarrar daquela história.
É uma história curta. Se tiverem curiosidade, é só clicar na imagem aí acima, que é a capa crua do livro,
Eu já tinha escrito outros livros e até um roteiro de filme. Já tinha essa pegada. Inclusive, achei esses “manuscritos” recentemente, quando tava dando um baculejo em uns CDs antigos de backup, guardados em uma caixa.
Se curtirem, vou postando por aqui esses velhos textos de um outro Mauro, de anos atrás.
É isso, se quiserem ler taí.
Valeu, até!

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