Cafés especiais: caminho sem volta - método Sifão

Pra mim, ao menos, foi! Um caminho sem volta. 

Depois que experimentei o primeiro café especial de verdade – torra bem fresca, grãos moídos na hora, água de qualidade e uma extração bem feita – e principalmente depois que comecei a preparar eu mesmo meus cafés especiais, nunca mais voltei a tomar o chamado café tradicional. 

Meio mundo e meio diz que é frescura. E fazem mil piadas. E muitas delas bem engraçadas mesmo. Eu não sinto nadaaaaaaaaa. Me divirto até. Tá tranquilo, tá favorável.

Mas é diferente. Pode acreditar. Café tem aromas e sabores que eu nunca imaginei. Café é doce por natureza. Aliás, nem todo mundo se toca, mas café é uma fruta. E cada tipo de café, a cada plantio - a depender do local, da altitude, do clima, das características do terreno e também da forma de processamento –, acaba adquirindo aromas e sabores próprios e únicos. E a cada safra tudo pode mudar. 

O que eu posso dizer é que o café especial e o chamado café tradicional são duas bebidas diferentes – como suco natural da fruta e refresco, como vinho tinto seco e vinho branco doce, como bacalhau e cação. É a mesma coisa, #SQN

E tem outra coisa. Essa coisa de preparar bons cafés acabou se tornando meio que meu momento. É como uma meditação. É como entrar em transe. O processo é todo meticuloso, cheio de detalhes, pormenores, atenção, feeling. Acaba sendo um momento em que você se descola do mundo real, dos problemas e aflições e alegrias e sensações, para focar em preparar a melhor xícara possível. Meu cantinho do café, que tá na foto que ilustra esse post, é meu reino, meu parque de diversões, meu refúgio. 

A moagem é específica para cada tipo de café e para cada método de extração diferente. A temperatura da água também é controlada. A velocidade e a forma de despejar a água sobre o café são cruciais. O tempo é muito importante. O visual de como está acontecendo a extração tem que ser acompanhado. E tudo isso tem que ser registrado na memória – ou no papel ou no computador – para quando se chegar a um café excepcional na xícara – ou um café fraco, azedo, amargo, ruim – se saber o que aconteceu, o que levou àquele resultado, e o que fazer pra melhorar ou manter esse resultado.

Caramba, que chatice. Que trabalheira. Muita gente diz isso!

Mas não conheço pessoa que tenha experimentado um bom café especial e não tenha se deliciado e elogiado a bebida. Vale a pena, pode acreditar!

Então, vamos tomar um café?

Agora, pra não ficar só no blablabla, já que você chegou até aqui lendo esse textão, vou mostrar um vídeo curtinho com um dos métodos de extração mais chiques que conheço. 

Sim, vou começar logo com o chamado rei dos métodos. 

O vídeo mostra o café sendo preparado no Sifão (também chamado por aqui de Globinho), método que surgiu entre 1830 e 1840, primeiro na Alemanha e depois na França. É um equipamento caro, delicado, trabalhoso, mas é uma das formas mais lúdicas de se preparar um café. É bonito de se ver o processo. Traz bem essa coisa da química e da física, envolvendo variáveis como  pressão, vácuo e gravidade. 

O fogo faz a água ferver. A pressão na câmara inferior faz a água subir pela única via possível, chegando à câmara superior. O fogo embaixo mantém a pressão alta e cria o vácuo que impede a água de descer. O café é acrescentado e fica um tempo em infusão. Ao desligar ou retirar o fogo, a pressão cai, o vácuo desaparece e a gravidade faz a mistura descer, passando por um filtro. E está pronto o café.

Quando olho pro Sifão, sempre imagino que ele tenha sido criado por uma cientista, em seu laboratório, num momento em que ela não podia sair da bancada de experimentos – ou nem tinha cozinha por perto - mas tava doida pra tomar um café. Aí pegou o primeiro equipamento que não tava usando, meteu água e café pra ver o que ia dar e ... tchan tchan tchan tchan... estava inventado um novo método.

É bonito mesmo de se ver. Meio mágico. E, acredite, faz um café super delicioso, bem limpo, com bastante aroma e sabor. 

Tem algumas maneiras diferentes de se preparar o café no Sifão. Esse que mostro é o que mais me agrada e traz um café do jeito que gosto.

Dá uma olhada ai embaixo. O vídeo é bem curtinho.

Então é isso. Outra hora falo mais de cafés e métodos de extração de cafés coados.

Valeu, grato pela companhia e até a próxima!




Comentários

  1. Vale muito a pena sorver um café por esse método. Um dos meus preferidos. Muito bom e já quero um🫶😅

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